AS ENFERMEIRAS PARA-QUEDISTAS




 


Recentemente o jornal Público, no seu suplemento P2, publicou um extenso artigo de Lucinda Canelas, sobre as Enfermeiras Para-quedistas a propósito de uma exposição a decorrer na Central Tejo, em Lisboa (Belém).

Para além do reconhecimento da ação destas nossas camaradas, atuando em circunstâncias de alto risco, pois nem sempre era possível recolher os feridos nas improvisadas pistas de aterragem existentes, com as DO, tendo o mesmo que ser feito junto do local onde decorrera a ação de combate, após montagem de um perímetro de segurança para aterragem do Alouette III.

No mesmo surge uma referência que justifica esta página no nosso blogue.

O último curso de formação de enfermeiras para-quedistas decorreu em 1974, ano coincidente com o do término do conflito, e na continuação do texto escreve a sua autora:

"uma delas Luísa Martinho, não chegou a ir para África devido   a uma tragédia familiar, lembra Maria Armanda. "Quando ela estava pronta para ir fazer o estágio nos Açores -que todas tinham que frequentar-, o irmão morreu em combate. A mãe pediu-lhe muito para que não fosse e ela aceitou. Se eu fosse mãe dela, também havia de lhe pedir que ficasse cá."

Luísa Martinho era irmã do nosso saudoso camarada  João Carlos Vieira Martinho, Fur Mil Cav, do ERec 8740/72-1.ª fase.

Este era oriundo do concelho de Torres Vedras e o seu nome consta no Monumento aos Torrienses Mortos na Guerra do Ultramar, aí existente, bem como numa placa toponímica em Sobreiro Curvo (A dos Cunhados).




PRESENTE



 

PELOTÃO DE RECONHECIMENTO AML 2024





Sobre o PelAML 2024, em Julho de 2012, Bernardino Cardoso, que foi Fur Mil Rec do PRec (Jan68/Dez69), no blogue “Luís Graça & Camaradas da Guiné”, escrevia que chegou à Guiné em 14Jan68, a bordo do navio Quanza e que após o desembarque e depois de passar pelos Adidos seguira para Bula, para incorporar:

“Em um novo PEL REC de Cavalaria, o 2024, que ia operar as Panhard que ai estavam estacionadas. Mas era um pelotão especial pois levava 30 soldados atiradores, 2 cabos mecânicos do quadro, 12 Furriéis de Rec, 1 Fur rádio montador, 2 Sargentos e 2 tenentes do quadro. Isto porque tinha em vista a formação do Esquadrão de Rec Cav, como veio a acontecer (,o EREC 2454,) comandado pelo, na altura, Capitão Manuel Monge, homem de grande carácter e elevação.”

Webgrafia: http://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/2012/07/guine-6374-p10156-tabanca-grande-350.html




APACHE

Como muito do que acontecia nesses anos de guerra surgiam momentos únicos, onde nem sempre  imperava a violência, mas sim uma vivência coletiva onde se tentava atenuar estados de alma. 

Entre eles estavam as melodias com que o Elísio Ferreira e o Vitor Batista  tentavam quebrar tristezas. 

"Apache" um tema dos "The Shadows", era o preferido de muitos dado também o virtuosismo  dos mesmos na sua interpretação.






 UM ESPETÁCULO DE VARIEDADES


O ano de 1972 estava a terminar. Para uma das fases do ERec 3432 era apenas mais um ano que passava para outra o primeiro num cenário de guerra.

Assim havia que encontrar algo que quebrasse as saudades e a tristeza de quem vira a sua vida tão profundamente modificada.

Vai dai um grupo de "apanhados pelo clima" e de jovens "cacimbados", decidiu realizar um "espetáculo de variedades".

O programa, cuidadosamente elaborado, apresentava uma primeira parte onde pontuava uma peça teatral "Pastel de Nata", um momento de fado, música tradicional portuguesa, poesia e música.

Na segunda parte os  quadros revisteiros, como era de esperar, apelavam à risota e, talvez o momento mais aguardado, deu-se a eleição da "Miss Esquadrão" que, para não variar, foi ganha pelo Mesquita pois mulheres "ca tem". 

Uma noite em que até os nossos "amigos" decidiram colaborar na festa.

Infelizmente nem todos os "3432" puderam assistir a tão magnifica apresentação pois alguns estavam destacados, mas nem por isso foram esquecidos.





















OS RAPAZES DAS PANHARD 


A cada rotação dos Esquadrões de Reconhecimento que operavam as Panhard AML na Guiné, estas ficavam, mas os homens, esses, iam mudando. 

Há fase que ia ser rendida  cabia a tarefa de transmitir à seguinte e às novas tripulações o muito que tinha sido aprendido da arte da guerra, feita a partir de um veículo blindado, que apenas aparentemente os protegia.

Os RPG's, as minas, procuraram sempre, derrubar esses cavalos de aço, contudo a coragem e pronta resposta das suas tripulações, a velocidade e mobilidade do veículo, o seu armamento versátil; morteiro 60 de carregamento por  culatra, podendo fazer tiro tenso e curvo, as duas metralhadoras MAC 7,62mm, eram  uma mais valia, que tornavam a Panhard AML numa arma de guerra, única em toda a Guiné.

Mas a guerra sempre exigiu um tributo em vidas humanas, como muito bem sabe quem  a fez, e o pessoal das Panhard não foi  exceção. Esses, os feridos e mortos, continuam contudo na memória dos seus camaradas.

Aqui ficam os rostos, aparentemente anónimos, de algumas tripulações; chefes de carro, apontadores e condutores da Panhard AML. 

Reconhecíveis pelos seus camaradas e identificáveis pelos os seus familiares. Trazendo memórias de tempos únicos. 






























 

RESENHA HISTÓRICO-MILITAR DAS CAMPANHAS DE ÁFRICA  1961-1974

ASPECTOS DA ACTIVIDADE OPERACIONAL

Tomos I, II, III

GUINÉ


Todos os que participamos nas Campanhas de África vemos esse tempo do ponto de vista da qualidade dessa participação. Uns por obrigação do seu dever como militares, outros por imposição cívica, através do Serviço Militar Obrigatório (SMO). Apesar da diferença, foram milhares aqueles que cumpriram o serviço militar e outros tantos que no seu exercício perderam a vida.

A marca ficou para sempre indelével, em particular para quem no SMO teve que cumprir longos meses de comissão. As conotações ao anterior regime, manifestas durante anos no ostracismo a que foram condenados, silenciou as manifestações de quem julgava apenas ter cumprido o seu dever para com o país, num principio comum a outros exércitos que honram aqueles que, indiferentes a razões de Estado, servem nas suas Forças Armadas.

Por dignidade a História não deve ser esquecida, nem tão pouco reescrita, pelo que o projeto apresentado nesta página, honra a todos, e surge como um documento de trabalho para quem no futuro aborde este tema.


  

constituição de uma "Comissão para o Estudo das Campanhas de África", veio permitir a realização de um trabalho que além de meritório, nos permite ter no presente dados da sua dimensão histórica, documentados com elementos objetivos da sua envolvente operacional.

A propósito do lançamento do 6.º volume da "Resenha Histórico-Militar" realizado em 2017, que decorreu no auditório do Aquartelamento da Amadora da Academia Militar, perante uma vasta plateia.




Destacamos da intervenção do Cor Henrique de Sousa partes do seu texto lido na apresentação deste volume, referentes a um documento do Major-General Nascimento Garcia, que lhe foi entregue, versando os principais elementos estruturantes que propunham nortear o trabalho que viria a realizar sem paralelo na história militar portuguesa.

"Temos uma Missão que é fazer uma publicação a focar os aspectos operacionais da luta na Guiné, entre 1961 e 1974." 

"O nosso Objectivo é preparar um trabalho rigoroso, claro e exacto que traduza, com realismo e em moldes e estilo sóbrio os acontecimentos militares que se tiveram lugar naquele período."

"A nossa IDEIA DE MANOBRA é conduzir a preparação do trabalho com apoio na documentação oficial disponível e nos testemunhos que tomaram parte dos acontecimentos. Com um mínimo, ou mesmo sem referências pessoais, num juízo de valor acerca das actividades a relatar. Cumpre-nos referir aos factos, com exactidão e simplicidade e só factos, sem considerações de apreciação de qualquer natureza (fim de citação)."

A sua intervenção termina refletindo que:

"Procurámos contribuir com um trabalho útil, sobretudo para os vindouros e prestamos uma homenagem, divulgando o que fizeram, aqueles que combateram, com grande dignidade e valor, num Teatro de Operações bastante difícil.

Numa apreciação global das acções desenvolvidas, quer na área operacional, quer na área da  convivência e apoio às populações podemos concluir, sem favor, que o Militar Português foi exemplar no cumprimento das suas múltiplas e difíceis missões, durante esta longa e árdua campanha."


https://www.youtube.com/watch?v=rAPgckUFpnI




PASSADO E PRESENTE DO QUARTEL DE BULA


O quartel de Bula (ou Batalhão) esteve ligado à atividade operacional das Panhard na Guiné por ter sido a primeira unidade a acolher o PREC 1106. Este chegou ao TO em 1966, tendo permanecido em Bissau no Forte de S. José da Amura, até seguir para o sector de Bula, onde terá integrado o dispositivo de manobra do BCav 790 e depois do BCav 1915, com secções estacionadas em Teixeira Pinto e noutros destacamentos do sector.

Na sequência da boa adaptação da Panhard ao tipo de guerra em curso e da chegada de mais viaturas, surgiu a  necessidade de um maior espaço de parqueamento e apoio mecânico para a Panhard, tal como para o pessoal, pois a unidade passara a ser de Esquadrão com duas fases de ERec diferentes mas que se sobrepunham  operacionalmente.  

Face a isso o Cap Monge, comandante do ERec 2454, viria a obter autorização para instalar a unidade, num espaço próximo do Batalhão que antes fora ocupado pela "Engenharia", durante a construção e asfaltamento de estradas na zona e que passaria a ser o aquartelamento do "Esquadrão de Bula".  

O espaço do Batalhão serviu de aquartelamento a inúmeras unidades, sendo em termos operacionais crucial, pois tinha na sua proximidade a mata de Choquemone, um dos maiores campos de minas da Guiné e uma pista de aviação, englobando dois espaldões um de artilharia e outro de morteiros. No seu perímetro existiam ainda fortins guarnecidos por pessoal da unidade.

A mudança do Esquadrão para a sua proximidade, para além de permitir melhorar a operacionalidade, manteve a missão complementar de atuar como subunidade de reserva móvel de intervenção.


 Formação de coluna para João Landim junto ao Batalhão (1967) 


Porta de armas

Parada e Capela

Mastro da bandeira, depósito de viveres, armeiro e enfermaria

                                                                             
Casa do gerador após ataque com foguetões





Oficina auto e, em segundo plano, os edifícios das transmissões, secretaria e comando


Oficina auto


Trincheira em frente da sala de operações e informações do posto de rádio



Ecrã/Palco no Ronco de despedida da BCaç 2928


Esplanada do quartel e ecrã/palco


Morteiro (81mm m/931).


Obus 14cm m/943



Abrigo e posto de vigia para a estrada de São Vicente


Fortim de Bula


























    © Fotos: Armando Pires, Manuel Leitão, AVL, João Salgueiro, José Linhares, Óscar Segura, Leonel Olhero, António Boda